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Quem garante tua segurança

Quem garante tua segurança

O medo significa inquietação diante de um perigo real ou apenas imaginário, de pavor diante de determinadas situações. Nesse aspecto a segurança, também é uma questão de percepção e de sentimento. Sentir-se seguro é intrinsicamente relacionado com o sentimento de se fazer parte de algo, ser cuidado ou visto. Porque uma vida comunitária saudável é resultado de uma relação confiança entre pessoas que reconhecem e assumem seus papéis dentro da comunidade. E isso se traduz em ambientes seguros para as pessoas.

Quando se vive num sistema de profundas desigualdades sociais, a injustiça é imperativa, então o ambiente se torna irremediavelmente hostil. Os crimes tendem a crescer porque isso faz parte um ciclo danoso: a exclusão social e a injustiça gera o não reconhecimento das autoridades (as mesmas que deveriam proteger a todos, vem aqui como algoz, e se faz mais presente no punitivo). Uma vez que não se reconhece como parte da sociedade e não reconhece a autoridade do Estado, a prática criminosa é muito mais atrativa, tanto quanto recompensadora, na relatividade de oportunidades.

Acontece então que a criminalidade é instituída em nosso meio.  Toda a sociedade se sente “vítima” desse ciclo e reivindica a justiça em forma de proteção. Mas dessa vez, exige-se a proteção seletiva de parte da sociedade, distorcendo a atuação punitiva do Estado como opressor dos mais desfavorecidos.  Aqui nesse ponto, chegamos na falência da relação de confiança. O “medo do crime” é a insegurança que pessoas sentem dessas situações de vulnerabilidade e desconfiança.  

Mas é o Estado que deve garantir a segurança¿ Na nossa constituição brasileira, a segurança pública é dever do Estado e, mas também, é de responsabilidade de todos. A responsabilidade se aplica justo na nutrição da vida comunitária de forma saudável. Se segurança é sentimento, ele também é resultante de uma percepção individual do meio e do impacto da forma como nos relacionamos um com os outros e com a cidade.

E se refletirmos o porquê das diferenças de percepção de segurança em vários locais na cidade, é claro que isso vai para além de aspectos socioeconômicos. São os locais onde as comunidades são mais fortalecidas que os desafios de reduzir a criminalidade são mais bem-sucedidas. 

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